Da procura e do erro

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No autobiográfico «Olhar Retrospectivo», Kandinsky conta que um «Palheiro», de Monet, e uma récita do «Lohengrin» de Wagner foram fundamentais para o seu percurso criativo. O primeiro foi visto em Paris, a ópera na Alemanha, e na Rússia, onde nasceu, os salões rústicos de Volodga foram igualmente as sementes de um porvir artístico revolucionário. Destas confissões, como de toda a história da arte e da ciência, depreendemos a importância da serendipidade, da procura desinteressada, do tempo (perdido) e mesmo do equívoco — «tenta outra vez, fracassa de novo, fracassa melhor», aconselhou-nos Beckett. De nos perdermos para encontrar um rumor da verdade. Privilégios que que, com os GPSs e as «ápes» e a autoridade da maioria ruidosa e os projectos e os organogramas e os índices, confinados em trilhos de feromonas sociais e na aridez da especialização, nos arriscamos a perder irremediavelmente.

Carlos M. Fernandes

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