Da inevitabilidade da morte

«La Jetée» (Chris Marker, 1962), objecto bizarro e confortavelmente instalado entre a fotografia, o cinema e a literatura, fala-nos do passado, essa carga que nos estrutura e condena, que se pode até confundir com o futuro, mas que, quando corrompe e coarcta o presente, se transfigura em aviso insistente e insuportável sobre a inevitabilidade da morte – a dada altura, ouve-se, em alemão, entre murmúrios imperceptíveis de médicos mengelianos, «die Hälfte von ihm ist hier, die andere Hälfte ist in die Vergangenheit» (metade dele está aqui, a outra metade está no passado), enquanto a metade do passado visita uma galeria de pássaros embalsamados.

Carlos M. Fernandes

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