O espelho embaciado do passado

No conto Tlon, Uqbar, Orbis Tertius, Jorge Luis Borges, por interposta personagem, diz que «os espelhos e a cópula são abomináveis, pois multiplicam o número de homens». A fotografia, espelho com memória – ou «o espelho embaciado do passado», como lhe chamou Vladimir Nabokov – não só os multiplica, como o faz numa cadência exponencial. Cuidado, pois, com o frenesim das imagens e o impulso narcisista. Não sabemos quantos mais homens e mulheres aguentará o mundo – que balança já no limite do alvoroço visceral.

bbp0093-m06Bill Brandt

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