O Estrangeiro

“The Americans”, de Robert Frank, “Lolita”, de Nabokov e “Paris, Texas”, de Wim Wenders. Três obras de arte. Três retratos da América vista desde a estrada. Três incursões de três forasteiros em território desconhecido. Quando um estrangeiro faz um esboço da paisagem física e social de um país, fá-lo, quase sempre, livre de constrangimentos emocionais. É por isso que o melhor texto sobre Portugal é o de Unamuno e a mais nítida visão da Andaluzia oriental é a de Gerald Brennan. Se uma cultura ousa assimilar as ideias do Outro – como a América, nos seus melhores momentos –, então essa cultura vai trabalhar sobre novos temas e abrir linhas de fuga. Mas se as recusa, definha. A rejeição do Outro, do estranho, é a sentença de morte de qualquer sistema coerente de ideias e tradições. Porque, se a continuidade é o ADN da cultura, a novas ideias são o seu alimento.

frank15[1].2Robert Frank (The Americans)

Carlos M. Fernandes

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